quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ego de morte

Chico chiclette tem um canivete
e enquanto masca, assim se diverte,
a rodar a lâmina pelos dedos da mão
observa quem passa com muita atenção.

De jeans rasgados, bem ao dobrar da esquina,
olhar matador (assim se adivinha),
ao seu alcance, a perfeita cabeleira
estimula a conquista p'la tarde inteira.

Ia o sol, já cansado, de tanta investida
caía pra noite - exausta e vencida -
no ruivo firmamento nada se ouvia,
já o ruivo semblante não se mexia.

Inerte e serena, escultura de areia,
Chico pensava fazê-la sereia,
e em golpes precisos as escamas moldava
e em golpes mortíferos já a torturava.

Ouviram-se os gritos, calaram-se as vozes,
Chico ainda hesita "ficas ou foges?"
mas o ego do artista, acabou por falar mais alto
(sabia ter chegado o momento...de dar o salto)

1 comentário:

Antónia disse...

e depois curtou-se! :D

Ass. Antónia